quinta-feira, 26 de novembro de 2020

A MONUMENTAL ARROGÂNCIA DE NÃO CONSULTAR O POVO (OU: O culpado não é o artista, é o arteiro soberbo)

 Carta aberta a quatro distintos destinatários

Ao cidadão Irineu Migliori:

Não o sei pessoalmente, mas entendo dos sentimentos próprios de um artista.

Ao terminar um novo trabalho, é como se parisse um filho com um tanto de suor, lágrimas, arranhões e palavrões, seus... Tudo para dar, à obra de arte, a leitura desejada pelo cliente comprador. Esse faz o menor dos esforços: paga para ter o capricho de possuir uma obra de arte.

Há a necessidade de o respeitarmos pelo contexto de seu trabalho com o “João do Pulo”, mas, com a sinceridade de nossa formação, temos certeza de ser-lhe possível fazer melhor.

Entendo a obra ter sido aprovada pelo cliente. Para isso, não importou, ao prefeito cliente, a fidelidade do hiper-realismo. Simplesmente por ter sido uma obra oferecida graciosamente ao município. (Em termos, pois alguém desembolsou, no mínimo, R$ 40 mil, sem contarmos toda a mão de obra para o transporte e instalação).

Não se preocupe. O público tem o direito de criticar, seu trabalho está pago e o cliente arrouba-se em dizer ter oferecido algo novo para a cidade.

Tenho certeza: se o cliente não houvesse gostado, o senhor buscaria fazer melhor. Em seu nome, também apresento meus respeitos ao autor da obra destruída.

João do Pulo, entretanto, não ficaria satisfeito com a pretensão política dessa escultura...

Ao prefeito Isael Domingues:

Você vai colocar uma placa com a inscrição de seu nome naquele local. Todos lembrarão a nem tanto pensada intenção de remover uma obra de arte, afrontando a História de Pindamonhangaba, violentando o currículo do artista autor da estrutura metálica, para substituí-la por outra obra de arte, já referida e respeitada acima.

Peça a todos os repórteres fotográficos documentarem essa placa. Mande fazer uma foto ampliada e guarde em seus pertences. Servirá como motivo para refletir sobre como não fazer promoção pessoal, patrocinada por terceiros, e expor respeitados artistas plásticos. Tanto o preterido (Lizar Artista Plástico) como o de agora, Irineu Migliori.

Já lhe tocou o íntimo a situação emocional de um e de outro artista? O primeiro teve um trabalho destruído e seu currículo desqualificado. O atual, por conta da incompetência de quem aprovou a obra, alvo das críticas de um bom tanto de munícipes insatisfeitos. Justo isso?

A arrogância, a soberba, o ego massageado pela insensatez demonstram, em nem tanto subjetivo discurso, o pouco amor e respeito dedicados à nossa cidade e ao nosso povo. Apesar dos corações espalhados por aí...

Bata no peito e diga: “Mea culpa, mea culpa, mea culpa...”. (repita isso até mesmo diante da família, a qual deve ser motivo de chacotas, desde o “Wolverine” também doado com o apelido de “Portal da Cidade”).

(Mesmo porque nenhum puxa-saco vai assumir essa coisa).

Ao respeitável público:

Aí está...

Uma cara lavada, da atual Administração, insistindo em ser a bola da vez, de modo tão acintosamente impróprio.

Não houve audiência pública, para apresentação da proposta de mudança do monumento.

Mesmo em se tratando de doação, não mexendo nos cofres públicos, o presenteado (povo pindamonhangabense) teria o direito de aceitar ou não. Ou, no mínimo, escolher. Presentes, quando não nos servem, podem ser trocados. Temos até um Código a garantir isso.

Descaracterizaram um cenário consagrado em diversos momentos, desrespeitaram um já patrimônio da cidade. Sem chances de o pacato povo reagir.

Certamente os Conselhos Municipais de Cultura, Patrimônio Histórico e Turismo nem chegaram a ver o rascunho da ideia em se ter uma ideia de como ter uma ideia de tirar um atrativo e já ponto de referência, para apenas exercitar a soberba política.

Não há respeito aos Conselhos Municipais. Pelo menos sinto isso por frequentar as reuniões do COMTUR – Conselho Municipal de Turismo o qual, há bom tempo, parece ser obrigado a se render aos desejos do Departamento de Turismo.

Já passou da hora de a verdadeira Sociedade Civil de Pindamonhangaba se fazer ouvir e respeitar, por meio dos Conselhos. Deliberem senhores conselheiros, e não apenas acatem as decisões da Administração Municipal. A não ser existir, realmente, algum interesse pessoal de cada um deixar ficar como está...

Aos colegas da imprensa:

Sejam merecedores do crédito popular.

É o povo quem paga e consome suas verdades, por recolher impostos municipais.

Vale darem valor ao seu nome próprio e não apenas aos releases da Administração.

Não há dinheiro que pague a Imprensa autenticamente justa e ímpar.

Assino, sim. E quem quiser, fique à vontade para assinar.

Marcos Ivan de Carvalho

Jornalista independente MTb36001/SP

Apaixonado pela mãe adotiva Pindamonhangaba.

 

5 comentários:

  1. Texto muito verdadeiro, parabéns por compartilhar, com profissionalismo, para com o público.

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  2. Parabéns !
    Respeito é bom e o pivo agradece !
    Esta cidade será por mais 4 anos, a Capital da Arrogância, onde o povo é iludido e infelizmente, não acordou para a realidade desta cidade, comandada,por forasteiros !

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  3. Gostei. Parabéns! Retrata uma verdade escondida!

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