Isael Domingues:
Em sua fala à imprensa, especialmente convidada
para uma coletiva no auditório da Prefeitura, você iniciou a conversa de um
modo até certo ponto merecedor de reflexão um pouco mais profunda...
“Quero deixar um agradecimento
especial à minha família...”. Houve uma breve pausa e, sinceramente, imaginei
ser para destacar uma citação específica à primeira dama. Lógica, e
naturalmente, essa personalidade deveria receber uma fala distinta ao contexto
familiar, pelo simples fato de lhe servir como fiel conselheira, travesseiro
emocional e mão estendida em tempos de se reconfortar. Afinal, como sempre os
vencedores afirmam, a mulher amada merece ser agraciada publicamente...
O discurso, em termos de família, foi
meramente genérico...
Em contraponto, houve a preocupação
sua em citar o tempo integral de parceria com seu secretariado e equipes: três
anos, 10 meses e 16 dias, considerando-os verdadeiros heróis.
Prosseguiu sua fala valorizando, tão
somente, os seus comissionados importados e abertamente não considerando os
valores tantos disponíveis na cidade a qual governa. Disse ser importante a
capacidade de dar respostas à população. Respostas como o desastre pela perda
de milhares de exames de laboratório e o providencial, até agora, engavetamento
da respectiva CEI, com a devida acolhida, em seu grupo de escudeiros, do
relator desta mesma Comissão do Legislativo?
Continuando: infeliz a sua citação do
sagrado nome de Deus, para justificar seus comissionados e suas próprias ações:
“Quem fala isso é Deus”, você destacou ao elogiar a equipe de trabalho. Aliás,
não é a primeira citação indevida do sagrado nome de Deus. Você mesmo se
investiu do direito de afirmar ter sido escolhido, pelo Criador, para prefeito, quando da primeira vez. Faltam-lhe humildade e verdadeira fé. Transbordam
arrogância, oportunismo, sede de poder e soberba. Tripudia sobre quem ousa
contestá-lo.
Noutro trecho da fala, afirmou a “maneira
inteligente” de usar a iniciativa privada, fazendo-a sacudir o bolso, para
estar dentro da prefeitura. Enquanto isso, o cidadão comum continua ralando e
suando para honrar com as obrigações fiscais, sustentando uma folha de
pagamento a ponto de estourar, de tão inflada. Aceitar doações, caro prefeito
reeleito, é uma forma de disfarçar o famoso “podem passar a sacolinha”...
Com essas doações, o município fica
menos rico de patrimônios consolidados (leia-se áreas de interesse comercial/industrial),
enquanto a cenografia impera para fazer o povo acreditar estarem as coisas
caminhando para um futuro melhor. De qual maneira, se o presente dói na carne
dos doentes, dos desempregados, dos pequenos empreendedores, enquanto os bolsos
e contas bancárias dos comissionados soam em valor monetário dos respingos de
lágrimas e suor e lamentações de quem trabalha para sustentar seu glorioso time
de estrangeiros comissionados.
Depois, anunciou, mesmo com dificuldade
em respirar em alguns momentos, a morte da Câmara com mentalidade antiga e
ultrapassada, falando dos “votos de cabresto” até então praticados e, salvo prova em
contrário, favoráveis à sua atual gestão. Veja-se, por exemplo, o
emocionante desempate estabelecido quando da CEI da revisão de cargos. O então
presidente só faltou virar cambalhotas ao ser o protagonista do desempate em
seu favor...
A maior parte dos vereadores esteve ao
seu lado, aprovando até mesmo sem discutir. Agora não lhe servem mais... Bem
feito para eles, supostos representantes do povo.
Você disse sobre tratar os cidadãos com
respeito, mas parece isso acontecer, somente quando do seu interesse, não por
merecimento de todos os seres humanos terem respeito, independentemente da
situação.
Dirigindo-se aos profissionais da
Imprensa, presentes ao evento, anunciou um orçamento melhor, comparando com o disponível
no início do seu primeiro mandato. Você falou em ter acontecido o final da era
do “cabresto”, e, depois vem acenando com melhores pagas à Imprensa. Simplesmente
insinuou seu desejo de a mesma só noticiar ou publicar aquilo definido como de
seu interesse administrativo. Não abre a mínima possibilidade de crítica ou
noticiário capaz de lhe causar algum tipo de incômodo.
Por outro lado, promete um
orçamento melhor para a mídia, mas, salvo eu estar completamente enganado, carece –
ainda – de um processo licitatório para contratação de uma agência prestadora
de serviços publicitários institucionais. A essa agência compete contratar, ou
não, os veículos de comunicação. Naturalmente, a empresa vencedora do certame
terá seu ganho regulamentar para gerir os investimentos. Claro está,
entretanto, a escolha ficar a cargo do seu departamento de Comunicação.
Aliás, aqui nos permitimos um breve
comentário: você criticava tanto seu principal adversário, nos anos anteriores
e até na campanha passada, mas arregimentou, há bom tempo, a maioria do time
adversário. Acredito vir esse time a coordenar toda a sua comunicação nos
próximos tempos. Criticava e agora lhe serve ou é algo inexplicável?
Quanto aos anunciados, também,
representantes da cidade nas esferas estadual e federal, você acena com o vice
e o pároco parceiros? Teriam, estes, tanto a merecer dos cidadãos locais? Fala
em ser preciso a cidade se educar para isso vir a acontecer...
E a Educação dos nossos herdeiros, tão
arrebentada e mal conduzida nessa sua gestão? Os mestres merecem mais atenção,
para terem como ensinar a garotada. Valorizar o efetivo é dar condições de
nossa cidade se inserir com altos ganhos de conhecimento num tempo de mais
conforto e qualidade de vida. Você deseja isso, negociando cargos com
estrangeiros?
Cadê o valor atribuído necessário aos
eleitores daqui? Estrangeiros comissionados não votam... E se fossem realmente
bons, não teriam chance em suas cidades de origem? Creio serem moedas de troca,
muito caras e nem tanto eficientes...
Na conversa com os jornalistas,
esqueceu-se de manifestar sua sincera gratidão a Deus. Nunca é demais agradecer
ao Pai. Aí, mais uma vez, transpareceu sua pretensão em se impor escolhido sem
precisar agradecer...
Dica número um: cuidado em não bater
no peito à toa. “Nada é definitivo enquanto não termina” (frase autoral, caso
ninguém a reivindique).
Dica número dois: você tem um tempo
todo para ser melhor, caso seja declarado inocente das representações contra
sua gestão.
Dica número três: dê, à Imprensa, seu
devido valor e não, apenas, a considere sob seu comando. O direito de expressão
ainda é concedido aos cidadãos brasileiros. Não compre testemunhos, seja motivo
de elogios desinteressados e desatrelados das verbas institucionais.
Dica número quatro: aprenda a ler, nos
olhares dos Servidores Públicos, o grau de satisfação quanto ao tratamento
administrativo a eles atribuído. Servidores Públicos são como cozinheiro e
garçom: deles depende o sucesso do bom prato e a satisfação do consumidor.
Dica número cinco: desça do tijolinho,
use estar à altura do povo, para se merecer gestor desse povo. Use pronunciar o
nome inteiro da cidade, até para merecer ter expressado tanto amor a ela em
diversos letreiros com coração...
.
Sexta e última: se você acredita ter
vencido “de lavada”, de repente o povo decidiu LAVAR AS MÃOS e deixar você
sozinho resolver o pepino ou o abacaxi criado por seu time de especialistas e agora
tenta se justificar. Não misture alhos com bugalhos, pois a ponte é alta e as
águas muitas devem passar sob ela, ainda.
Em tempo: não pretendo, com isso,
nenhuma consideração (ou deferência) em termos de possíveis contratos
publicitários, como já declarado em outra oportunidade. Minha opinião precisa
ser livre e não patrocinada.
Essa é minha carta aberta a você e me
permito conceder licença a tantos quantos desejarem apor sua assinatura sob a
minha. O trato como
pessoa comum, por não considerá-lo excelente para a totalidade.
Ah, talvez não acredite, mas, em
nossas orações você está, com o devido respeito a Deus, pois nos compete orar
indistintamente por amigos ou adversários.
Assino, sim.
Marcos Ivan de Carvalho
Jornalista Independente, MTb 3600/SP
Pindamonhangaba é minha querida terra
adotiva.
Tudo que foi falado é que realmente aconteceu e acontecerá.
ResponderExcluirPrepotente desce do tijolo e cuida do povo de Pinda
Eu sabia de seu domínio sobre as palavras, mas não me fazia imaginar tão grande sensatez e veemência nos dizeres. Do lado de cá, apenas povo, lavemo-nos as mãos.
ResponderExcluirParabéns, Marcos Ivan.
Parabéns Marcos Ivan.
ResponderExcluirFalou tudo que eu gostaria, e com muita classe.
Eu Wilma gostaria de falar mais algumas coisas...
Obrigada, tenha uma Abençoada noite!
🙌👏👏👏👏👏👏
Faço minhas suas palavras meu caro Marcos Ivan de Carvalho
ResponderExcluirParabéns Marcos Ivan. Espero que continue independente, até mesmo porque a saúde nesta cidade (área do Sr prefeito) anda pedindo medidas urgentes e o povo (que deveria ser o patrão) neste caso está a sofrer as mazelas.
ResponderExcluirAssino tudo.
ResponderExcluirÉ muita prepotência, rir dos pindenses colocando comissionados com crachá de voluntários aos finais de semana.
Marcos Ivan, parabéns pela escrita, maravilhosa.